Não fosse o relógio, com certeza me enganaria quanto às horas. O sol estava a fins de mostrar o merecimento de seu título de centro desse sistema e já cumpria seu intuito com a maestria de sempre… às 07h!
Sou daquelas (que só dizem sim… OPS! Não é a música do Chico) que mergulham em olhares, rostos, atmosferas e não foi diferente desta vez. A vida me atrai e tudo é motivo de minha atenção, ainda mais num universo onde há milhares destes motivos!
Acho graça na moça dentro do banheiro retocando sua pintura: seu rosto, como obra na moldura do espelho, estará coberto de suor em alguns instantes, fazendo-a parecer saída de uma capa do Alice Cooper! O que seria da vida sem a arte?
Casais, cachorros, magros, gordos, atléticos, incentivados por causas nobres ou não, partilham do mesmo objetivo: completar a prova. Alguns mais profissionais, outros mais amadores, unidos da mesma forma. A minha era modesta: 45min!
Na largada, bons dias e aplausos do staff fazem a alegria dos corredores, ainda com o putz-putz ao fundo. Em breve, apenas a música dos solados dos tênis e a respiração já ofegante de alguns. Não! Não se ouve um pio, uma conversa. São todos reverentes e focados, permitindo à orquestra de pés e peito revelar o talento da percussão.
Corro e mantenho a ideia fixa de não caminhar. Sim, serão 5k em corrida, mesmo com ritmo leve. No primeiro posto de água, sinto-me feliz por já estar quase na metade, ainda me sentindo bem… e continuo. Brindo meu rosto com um jorro, dou uma golada no resto e continuo. Ainda tem chão e estou feliz por fazer parte disso. Sinto-me especial e privilegiada.
Mais um pouco e a primeira placa indicando os metros finais aparece. Meu Deus, eu não senti sequer vontade de caminhar, nem uma vezinha. Fico embargada, mas com uma respirada, recomponho. Não é hora, ainda.
Faltam 300m! Cliques dos fotografos!!! Faltam 200m… Faltam 100m… Cheguei!!!
E quando olhei o relógio, qual foi minha surpresa e emoção? 35min e alguns segundos.
Eu tive a perfeita sensação de missão cumprida, tive orgulho de mim por ter chegado melhor do que esperava e a certeza de poder cumprir meus objetivos fora do asfalto.
Peguei minha medalha, como uma criança que recupera um brinquedo perdido. Ali estava a prova de onde eu posso chegar, se eu realmente quiser… e cada vez mais, eu quero!
Essa foi a primeira de muitas, mas com certeza, será sempre a mais importante, pois foi ali que voltei a acreditar e ter esperanças em coisas já perdidas…